8° edição: cenário semanal econômico – 11/05 à 15/05

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maio 16, 2020

Semana onde o mercado acionou aversão a risco em meio ao aumento da instabilidade do cenário político.

O Ibovespa iniciou esta semana em queda, pontuando na casa dos 77 mil, junto com as bolsas internacionais e também com o aumento na tensão política em meio a relatos de que o vídeo entregue pelo governo ao Supremo Tribunal Federal (STF) confirmaria a versão do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de que o presidente Jair Bolsonaro teria interferido na Polícia Federal para tentar paralisar investigações contra seus filhos.

Os investidores foram às vendas repercutindo a notícia, segundo a qual o presidente da República teria associado a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro à necessidade de proteger a sua família e interesses pessoais.
Beirando o final da semana, após uma semana de consecutivas baixas o Ibovespa fechou em alta. Com a reviravolta das bolsas americanas impulsionando a alta também no mercado brasileiro, retomando a casa dos 79 mil pontos. Encerrando a  semana o Ibovespa fechou em queda, de volta aos 77 mil pontos, após o pedido de demissão do ministro da Saúde.
Entramos no final de semana com mais clima de desconfiança e instabilidade no cenário político, o ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu exoneração do cargo
A decisão do médico vem menos de um mês após ele aceitar o cargo, substituindo Luiz Henrique Mandetta, demitido pelo presidente em 16 de abril.

Essa é a segunda troca no Ministério da Saúde em meio à pandemia da COVID-19. O general Eduardo Pazuello, hoje número dois da Saúde e já cotado para substituir Teich, assume o cargo interinamente.

Analistas destacam ainda que a demora de Bolsonaro para vetar o reajuste aos salários de servidores públicos também gera ruídos políticos.

Após um mês e meio de disputa judicial, o presidente Jair Bolsonaro entregou ontem três exames para detecção do
coronavírus e todos deram resultado negativo.

Entre os indicadores, o volume de serviços no Brasil caiu 2,7% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado por conta do coronavírus, mostrou a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já as vendas no varejo caíram 1,2% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado, revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Decreto sobre serviços
A inclusão de academias, salões de beleza e barbearias como atividades essenciais pelo governo federal gerou conflitos com os governos estaduais, parte dos quais afirmam que não seguirão o decreto – São Paulo não informou posição. O presidente Jair Bolsonaro afirmou que os governadores que não concordam podem recorrer à Justiça.

Já o Ministério da Saúde informou que o país bateu novo recorde de mortes diárias pela Covid-19, com 881 óbitos em 24 horas – entre segunda-feira e terça-feira. Com isto, o total de mortes pela epidemia do coronavírus subiu para 14.962 no Brasil e há mais de 220 mil pessoas contaminadas.

O Brasil ultrapassou na quarta-feira (14/05/2020) a França e tornou-se o sexto país com mais casos de Covid-19, atrás apenas de Estados Unidos, Rússia, Espanha, Reino Unido e Itália. O Brasil reportou 11.385 casos confirmados em 24 horas.

Pandemia
Estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz) mostra que durante o Carnaval, em fevereiro, já havia transmissão comunitária da Covid-19 no Brasil, o que acelerou o contágio. O mesmo estudo indica que a primeira morte causada pela doença no Brasil ocorreu entre 19 e 25 de janeiro, um mês antes do que se pensava, no Rio de Janeiro.

Lá fora, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq, das bolsas dos Estados Unidos, caíram também entre 1,9% e 2,06% depois de um grupo de senadores republicanos apresentar um projeto que inclui sanções a autoridades chinesas. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, disse que mais ferramentas podem ser necessárias para tirar os EUA da recessão, que já custou pelo menos 20 milhões de empregos, destacando que as perspectivas para a economia americana ainda são de incerteza. Com as afirmações, as ações americanas se mantiveram em baixa no decorrer da semana.

Os mercados também estão pressionados entre o otimismo pela reabertura econômica de diversos países e as preocupações com uma segunda onda do coronavírus.

Foi divulgado que o número de pedidos por seguro-desemprego nos EUA atingiu 2,981 milhões na última semana.

Também chegou a causar algum ruído o desacordo entre o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, e o presidente dos EUA, Donald Trump, acerca da reabertura dos comércios em diversos estados.

Fauci afirmou que ainda é muito cedo para reabrir os estados, visto que o país ainda registra mais de mil mortes por dia em decorrência da Covid-19. Ao todo, mais de 80 mil pessoas já morreram nos EUA por conta da doença. Trump disse que os comentários de Fauci são inaceitáveis.

Também no exterior, a Saudi Aramco, maior petrolífera do mundo, divulgou seus resultados do primeiro trimestre e mostrou queda de 25% no lucro líquido, que ainda assim foi de US$ 16 bilhões no período.
O movimento do petróleo, registrou um rali após a Agência Internacional de Energia (AIE) projetar menores estoques da commodity na segunda metade de 2020.
Os estoques de petróleo nos EUA caíram pela primeira vez em 15 semanas.

Enquanto isso, o dólar subiu  0,61% a R$ 5,90,marcando nova máxima histórica. No entanto regrediu em sua cotação  0,40%, a R$5,84. O dólar futuro para junho teve queda de 1,37% a R$5,83 no contexto semanal.

Na Europa, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido sofreu uma contração de 5,8% em março. As bolsas europeias registram baixas.

Cenário Cripto
Sob muita expectativa, enfim o bloco 630.000 foi minerado no halving do Bitcoin, que reduziu a oferta diária, a taxa de inflação e as recompensas do bloco para os mineradores. Além de levantar discussões sérias sobre o preço do BTC.

Halving do Bitcoin 2020 concluído
Nos próximos quatro anos, ou até que o próximo lote de 210.000 blocos seja produzido, os mineradores receberão 6,25 BTC por bloco, em vez de 12,5 BTC. De fato, o bloco 630.000 já tem a nova recompensa de 6,25 BTC.

Como suas recompensas são cortadas pela metade, isso levanta a questão se a mineração ainda será lucrativa. Um estudo recente indicou que o preço do Bitcoin precisa aumentar para cerca de US$ 15.000 ou mais para ser financeiramente benéfico para os mineradores.

Com uma estimativa baseada em dez minutos do tempo médio de processamento por bloco, o número de Bitcoins recém-criados também é reduzido pela metade – de 1.800 BTC por dia para 900 BTC.

A redução da oferta diária também significa que a taxa de inflação deve passar de cerca de 3,72% antes de 2020 para metade, para 1,8% agora.

Efeitos de preço do BTC
Este é um mercado cativado pelos possíveis efeitos no preço.

Nos dias e horas anteriores ao halving de 2020, o Bitcoin marcou altos níveis de volatilidade.

Em primeiro lugar, o preço fez uma boa corrida e testou a barreira psicológica em US$ 10.000. Em seguida, caiu para cerca de US$ 8.000 em horas, subiu para US$ 9.200 e voltou para US$ 8.850. Agora, depois do halving, o BTC está sendo negociado por cerca de US$ 9.400.

Em uma perspectiva de longo prazo, o halving serviu como um catalisador significativo para aumentos maciços nos preços do Bitcoin no passado. Nos meses seguintes ao primeiro halving em 2012, o ativo subiu de US$ 12 para quase US$ 1.200.

A principal criptomoeda estava sendo negociada por cerca de US$ 660 em 9 de julho de 2016 – a data do segundo halving. Um ano depois, o Bitcoin saltou para US$ 2.800 e, em dezembro de 2017, atingiu seu nível mais alto de todos os tempos: US$ 20.000.

Como tal, continua sendo interessante ver se a história se repetirá após o evento dessa semana.